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LUIZ GAMA 1830 -1882
Luiz Gonzaga Pinto da Gama nasceu em 21 de julho de 1830. Era filho de um
português e de Luiza Mahin, negra acusada de se envolver com a Revolta dos
Malês, na Bahia - a primeira grande rebelião urbana de escravos da história do
Brasil. Aos 10 anos, tornou-se cativo, vendido pelo próprio pai.
Luiz Gama morou com a mãe em Salvador até os oito anos. Quando a líder rebelde
teve que fugir para o Rio de Janeiro, buscando escapar da forte perseguição
policial, Luiz foi entregue ao pai, um fidalgo português. Jogador compulsivo e
afogado em dívidas, seu pai lhe vendeu a um traficante e Luiz Gama virou escravo
doméstico em São Paulo.
Aos 18 anos, sabendo ler e escrever, conseguiu provas irrefutáveis da
ilegalidade de sua condição, pois era fílho de uma mulher livre. Foi nesse
período, como escrevente, que Luiz teve acesso à biblioteca do delegado, então
professor de Direito. Autodidata e dono de uma memória excepcional, Luiz Gama se
tornaria um grande advogado (rábula). Foi um dos abolicionistas mais atuantes de
São Paulo. Com seu trabalho nos tribunais, conseguiu a libertação de centenas de
negros mantidos injustamente em cativeiro ou acusados de crimes contra os
senhores. Especializou-se nessa área.
Por insistência de Lúcio de Mendonça, advogado e amigo, Luiz Gama escreveu uma
carta autobiográfica. Graças a ela, a lembrança de Luiza Mahim chegou até os
dias atuais.