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PAULO PORTELA
Paulo Benjamin de Oliveira nasceu em 17 de junho de 1901, no
bairro da Saúde. Viveu por muitos anos na Praça Onze, até se mudar para Oswaldo
Cruz, subúrbio carioca, no início da década de 20. De família pobre, começou a
trabalhar cedo. No subúrbio, conheceu animadas rodas de pagode, assim como o
Jongo e o Caxambu, de tradição banto. Pertencia à família definida,
genericamente, como de origem Mina. Levou, portanto, para a nova comunidade a
organização dos baianos da Praça Onze.
A história de Paulo da Portela se confunde com o surgimento do samba no Rio de
Janeiro. Foi uma figura importante que contribuiu para que o ritmo, como era
cultivado nos morros e na praça Onze, ganhasse visibilidade, tornando-se popular
e bem aceito. Paulo aproximou artistas, intelectuais e políticos ao universo do
samba, uma colaboração inestimável para que a classe dominante interagisse com
essa expressão artística nascida nas camadas populares da cidade.
Embora aguerrido, Paulo também era conhecido por suas boas maneiras e elegância.
Sempre defendia a imagem do sambista como artista de respeito e valorizava a
educação, procurando dar bom exemplo ao usar terno, gravata e chapéu. Paulo da
Portela lutou fortemente para mudar a imagem que a sociedade tinha do sambista,
associada, até aquele momento, à imagem do malandro e do vagabundo.
Muito festeiro, fundou o primeiro bloco de Oswaldo Cruz, o Ouro Sobre Azul. Em
1922, ao lado de Antônio Rufino dos Reis e Antônio da Silva Caetano, fundou o
bloco Baianinhas de Oswaldo Cruz. Foi nessa época que surgiu seu nome artístico,
referência à Estrada do Portela, que servia para diferenciá-lo de outro Paulo,
sambista de Bento Ribeiro.
Em 11 de abril de 1926, foi fundado o Conjunto Carnavalesco Escola de Samba de
Oswaldo Cruz, embrião da Portela. Antes de se estabelecer na Estrada do Portela,
a futura agremiação teve várias sedes provisórias. A mais curiosa foi um vagão
no trem que saía da Central do Brasil em direção ao subúrbio, onde os sambistas
se reuniam diariamente para ensaiar.
A Portela apresentou-se pela primeira vez com o nome Quem Nos Faz É O Capricho,
no carnaval de 1930. A partir de 1931, passou a denominar-se Vai Como Pode, para
finalmente assumir, em 1935, o nome G.R.E.S. Portela.
Os sambas de Paulo foram gravados por grandes nomes do rádio, como Mário Reis
(Quem Espera Sempre Alcança, em 1932) e Carlos Galhardo (Cantar para Não Chorar,
com Heitor dos Prazeres, em 1937). Em 1941, dividiu com Cartola, seu grande
amigo, o programa A Voz do Morro, só com sambas inéditos, na rádio Cruzeiro do
Sul. Foi neste mesmo ano que Paulo se afastou da agremiação, após
desentendimento em pleno desfile com a diretoria da escola. Emprestou então seu
nome e conhecimento à Lira do Amor, pequena escola de Bento Ribeiro.
Combatente e propagador da cultura negra, participou de vários comícios do
Partido Comunista, embora tenha se candidatado à Câmara Municipal pelo Partido
Trabalhista Nacional nas eleições de 1945, da qual saiu derrotado.
Paulo morreu em 31 de janeiro de 1949, vítima de um ataque cardíaco. Seu cortejo
fúnebre foi acompanhado por mais de 10 mil pessoas. Depois de sua morte, foi
relembrado em várias músicas. Grupos como o Rosa de Ouro e A Voz do Morro, além
de intérpretes como Paulinho da Viola e Monarco, regravaram canções suas, como
Cocorocó, Pam-pam-pam-pam, Guanabara (Cidade-mulher) e Quitandeiro. Seu nome
também é citado em sambas como Passado de Glória (Monarco) e De Paulo da Portela
a Paulinho da Viola (Monarco/ Francisco Santana).