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Alceu de Deus Collares (Bagé, 12 de setembro de 1927) é um
advogado e político brasileiro. Foi deputado federal por cinco mandatos,
prefeito de Porto Alegre e governador do Rio Grande do Sul.
Nascido numa família pobre, Collares teve de abandonar os estudos aos onze anos,
para trabalhar como quitandeiro. Com dezesseis anos passa a trabalhar como
carteiro e, mais tarde, como telegrafista concursado. Volta a estudar e se forma
no curso clássico em 1956, ingressando em seguida na Faculdade de Direito da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Muda-se no mesmo ano para Porto
Alegre onde, como estudante de direito, ingressa no Partido Trabalhista
Brasileiro e se aproxima de Leonel Brizola. Forma-se advogado em 1960.
Em 1964 elege-se pela primeira vez, para o cargo de vereador. Quando do Golpe
Militar de 1964, os partidos políticos são extintos, criando-se o
bipartidarismo. Collares se afilia ao MDB, partido de oposição à Ditadura
Militar. No MDB, é eleito deputado federal em 1970, sendo o mais votado da
legenda no Rio Grande do Sul. Quando da sua reeleição, em 1974, foi o mais
votado do estado. Em 1978 é reconduzido ao cargo com 120 mil votos, e se torna
líder da bancada do MDB. No mesmo ano funda o Instituto de Estudos Políticos
Pedroso Horta.
Quando do fim do bipartiderismo, participa da reorganização do PTB, que acaba
frustrada pela cessão da legenda pelo Tribunal Superior Eleitoral para Ivete
Vargas, em detrimento do grupo liderado por Brizola nacionalmente e Collares no
estado. Em 1981, então, este grupo funda o Partido Democrático Trabalhista
(PDT), do qual Collares seria líder de bancada no congresso. Collares foi o
candidato ao governo gaúcho do partido em 1982, sendo derrotado por Jair Soares
e ficando em terceiro lugar. Ficaria, então momentaneamente sem cargo eletivo.
Foi o primeiro prefeito de Porto Alegre após a redemocratização, governando de
1986 a 1988. Foi um mandato de três anos, para ajustar o calendário eleitoral
brasileiro. Foi o primeiro prefeito negro da capital gaúcha, e seria também o
primeiro governador negro do estado.
Em, 1990, com o apoio de Leonel Brizola, que nas eleições presidenciais de 1989
recebeu 60% dos votos gaúchos, Collares foi eleito com com 2.319.400 votos para
a gestão de 1991 a 1994. No governo do estado, extinguiu a Secretária de Justiça
e Segurança, passando a despachar diretamente com os chefes da Polícia Civil e
da Brigada Militar. Fez moratória em 1991, deixado de pagar fornacedores para
pagar o funcionalismo público. No seu governo o PIB chegou a 6,4%, recorde
histórico do estado, sendo o crescimento acumulado no período de 23,43%.
Prometendo uma revolução na educação, transformou esta área na mais conflituosa
e polêmica de seu governo. Nomeou sua mulher, Neuza Canabarro, secretária da
educação, e iniciou a implantação de CIEPs, centros de ensino em tempo integral,
tal como havia feito na sua passagem na prefeitura de Porto Alegre. Causador de
discórdia e da queda de sua popularidade foi o Calendário Rotativo, que criava
três diferentes anos letivos, que se revezavam.
Não fez seu sucessor. O candidato do PDT em 1994 foi Sereno Chaise que fez
votação inexpressiva. Ficou sem cargo eletivo nos quatro anos seguintes, sendo
eleito deputado federal em 1998, cargo para o qual se reelegeu em 2002. Neste
período foi vice-líder do PDT (1999), vice-líder do bloco PDT/PPS (2001/2002),
presidente da Comissão de Seguridade Social e Família (1999) e presidente da
Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados 2006).
Em 2000, candidatou-se à prefeito de Porto Alegre, com a intenção de acabar com
o predomínio do PT na cidade, que se iniciara em 1989. No segundo turno, foi
derrotado pelo também ex-prefeito Tarso Genro. Antipetista convicto, apoiou em
1998 a candidatura de Olívio Dutra ao governo do estado. Dutra se elegeu,
vencendo o sucessor de Collares, Antônio Britto, então no PMDB. Collares foi
contrário à participação do PDT no governo petista, apoio que durou pouco mais
de um ano.